Filed under: MARROCOS 2012
Boas.
Terminou no dia 4 de Maio, mais uma Expedição da Landlousã, desta vez ao ponto mais Oriental de Marrocos, Ich, com Bivouac em Chott Tigri.
A Expedição correu bem, sem sobressaltos, unicamente 3 furos, dois dos quais no mesmo 4×4 e quase no mesmo sítio. Solidários sempre, respeitadores das identidades e das tradições das populações, como principal preocupação.
O momento mais marcante.
Salientamos como negativo:
- As casa de banho do Camping do Oued Laou, pese embora o espaço envolvente do Parque de Campismo ser agradável;
- A estrada em obras permanentes entre Oued Laou e Cala Iris, muito pó e máquinas, desde 2007;
- O estado “duro” da Pista entre Figuig e Mengoube Station. A Pista está em abandono total e é demolidora para os 4×4;
- O troço em mau estado e perigoso, porque se encontra “descalço” entre Ait Ouchene e Anemzi, para quem vai para o Lago Tislit após o famoso troço do Jaffar;
- O movimento de máquinas nas obras e o pó na antiga Pista “Benni Mellal a Ilmilchil”, entre Tassent e Tasraft;
- O excesso de controlo da velocidade, nas principais Estradas Nacionais, com torelância zero;
- O encerramento da maioria dos Parques de Campismo da zona, como o camping Diamant verte em Talsint;
- O encerramento do H1, entre Anergui e a Catedral, devido ao mau tempo;
- O desenquadramento da Vila de Anoual, escura, suja e impessoal;
Salientamos como positivo:
- A qualidade do Grupo da Expedição;
- O preço do gasóleo, que varia entre 0.73 a 0.75 euros por litro;
- O preço da Travessia em Ferry rápido e com regresso aberto;
- O Parque de Campismo de Cala Iris, a Área de Repouso de Taourirt,o Camping de Figuig, o Auberge Tislit e o Camping Amazigh em Azrou;
- As Pistas desde Taourirt a Figuig e de Mengoube Station a Talsint;
- A Tagine do Restaurante Pyramides em Ait BenniMattar, (N34 01.209 W2 01.631);
- O Bivouac em N33 34.610 W2 17.406, em que a beleza do lugar e o seu isolamento, tornaram o Bivouac mais agradável, permitindo um grande convívio;
- A Memória dos Bordjs da Legião Estrangeira e as inúmeras captações de água de apoio a agricultura, nesta zona de Marrocos;
- O Bivouac em Chott Tigri (N32 48.487 W1 40.375), e tudo o que de emocionante, vivemos nesse dia, com a Comandante dos Militares a oferecer um chá com bolinhos, junto a nascente. Foi um dos momentos mais abrangentes da Expedição, pelo simbolismo e pelo que se viveu;
- A volta pelo Dayat Langhal e toda aventura no reogrupamento da Caravana, eheheheh;
- A intensidade da vivênvia em Ich, com os miltares e a entrega dos medicamentos, roupas e material escolar a Associação. O chá em casa de Monsieur Allal com a sua família e o Grupo da Expedição e o nosso depoimento no Livro de Visitas;
- A visita no dia de descanso pelas Ruas de Figuig e pelo Ksar Zenaga, seguindo as ruas estreitas e becos pelo Palmeiral de Figuig;
- A aventura de arranjar um autocarro de 18 lugares ao fim do dia, para nos levar a Ksar Zenaga à Maison Ná Ná, para um magnífico jantar e uma vista nocturna sobre a Argéliae pelos labirintos das ruelas iluminadas;
- A forte emoção vivida com uma família nómada, que nada tinha. Primeiro afastaram-se, com receio, depois pediram gotas para os olhos, através de sinais. A confiança estava estabelecida. Ficaram com medicamentos, alguma roupa e alguma comida. Retribuíram com o pouco ou nada do que tinham, um pouco de pão e resto de queijo de cabra;
- As gravuras rupestres ao longo de todo o percurso;
- A Auberge Belle Vue, em Talsint, boa música, bom café e um dono “Pintas” todo simpático, (N32 32.125 W3 26.458), recomendamos;
- A sempre bela Pista com início na R 601 (N32 38.117 W3 33.656), até Bordj Tidarine (N32 55.628 W3 53.262) com os seus ”chapéus” de arenito;
- A mistura de cores, balbúrdia e movimento dos Souks;
- Os chás de menta em qualquer lado ou ao final de tarde em qualquer esplanada de um lugar qualquer;
- A beleza que não consigo traduzir em palavras do lugar, do sítio ou da zona do Forte Ourak (N32 35.534 W2 32,271), com toda a envolvente da paisagem, da nascente, das palmeiras e das relíquias das construções com história. Ideal para um Bivouac, junto a nascente e junto as palmeiras;
- A sensibilidade e simpatia de Madame Malika do Auberge Tislit. Esta Senhora natural de Figuig, tem uma enorme sensibilidade e sentido de entreajuda, ajudando os amis carênciados;
- A visita ao Mosteiro de Notre Dame do Atlas e a disponibilidade do Padre que nos recebeu. Este Padre, tinha no seu rosto, uma candura e transmitia a todos uma tranquilidade enorme. Foi um bom momento que nos emocionou a todos;
- A Travessia das Gorges du Jaffar, com uma mistura de emoções, do que o percurso nos poderia dar. Íamos a descoberta, mas no final o resultado foi mais que bom;
- O reboliço da Vila de Azrou, com as suas esplanadas, lojas e a sua modernidade;
- Os chás com bolinhos e o pão com azeite, oferecidos pelos Militares ao longo do percurso e nomeadamente no Quartel de Taoumit;
- A pela integração dos “caloiros” da Expedição.
- E finalmente, a Todos os Expedicionários muito OBRIGADO, pela partilha das emoções. Thanks a “A Malta dos Jipes”, pela vossa companhia e ajuda. Ao Viriato e a Helena (a Noronha), pela disponibilidade para fazer tratamentos ao longo da Expedição. O tratamento que fizeram a cabeça de um pastor de idade, que tinha a nuca coberta de bosta de cabra ou ovelha para estancar o sangue, foi importante. O pastor, aguentou firme e com algumas lágrímas o tratamento, e no final agradeceu e afastou-se;
PS: O momento mais significativo, foi quando um dos elemntos da Expedição entregou a nossa Bandeira Nacional, ao Comandante das Força Militares Marroquinas em Chott Tigri. Este, comovido procedeu de acordo e com altivez e respeito dobrou a nossa bandeira, beijou-a e encostou-a ao peito. Thanks, Man.
Fica esta nota que já vai longa. Trajecto, AQUI.
Inté
Inté a próxima.
A Expedição começa hoje, dia 21 de Abril, pelas 17:00 horas, na Gare de Algeciras e termina no dia 4 de Maio, às 21:00 horas, na Gare de Ceuta.
O Spot será activado no dia 21 de Abril a hora de embarque e podem seguir o percurso AQUI.
Fiquem bem por cá.
Isolada nas montanhas, na fronteira entre Marrocos e a Argélia, rodeada por um relevo acidentado, encontra-se uma encruzilhada de pistas utilizadsa tradicionalmente pelas caravanas de camelos vindas do Norte para Sul ou de Este para Oeste. Estamos em Iche.
Iche ou Yiche é uma pequena vila aninhada num vale junto de seu palmeiral, situada na ponta Nordeste do “Jebel Abienen”, um dos cornos setentrionais do maciço de “Beni Smir” (2160 m). O vale de Iche está encaixado entre este maciço e o maciço “Jebel MZI” (2200 m), que separa Iche da Argélia. De acordo com o dialecto berbere Iche significa corno ou canto (ahyIchei), traduzindo bem a representação geográfica deste oásis.
Foi fundadada pelos fenícios por volta de 4.000 anos A.C. Crê-se que em razão da presença de fontes de água. É mesmo considerada uma das mais antigas povoações de Marrocos. No entanto, descobertas arqueológicas demonstram uma presença humana na região bem mais antiga, a qual parece remontar ao Neolítico. A demonstrá-lo um conjunto relativamente vasto de gravuras rupestres (onde se destacam Dchira, Douissa, El Mlalih e Rkiza), bem como de monumentos funerários (localmente chamados de krakir, rjam ou qbour El jouhala).
Reza ainda a história que no século XIX, o movimento de caravanas era intenso trazendo uma certa prosperidade a este local. Iche era um local de retemperamento de forças dos homens e animais que faziam parte das caravanas que por ali passavam, de reagrupamento, antes da travessia por regiões hostis do Norte ou do Sul.
Mais recentemente , em Outubro de 1963, e tal como a vizinha Figuig, foi palco de violentos combates entre forças marroquinas e argelinas, no conflito militar que ficaria conhecido como a “Guerra das Areias”. A falta de definição de fronteiras precisas desde os tempos coloniais foi um fator decisivo. Situação que ainda hoje se mantém de certo modo, não obstante o cessar-fogo de 20 de Fevereiro de 1964 sob os auspícios da OUA e ONU, e que tem contribuído para permanentes focos de tensão (http://www.bladi.net/marocains-arretes-frontiere-algerienne.html).
Hoje, deparamo-nos com uma vila com cerca de 200 habitantes, onde as habitações estão agrupadas num Ksar, em torno da mesquita e restos da cidade. São apoiadas por cavernas de arenito rochoso cavado, que fica no centro de uma depressão, uma espécie de carreiro que interrompe a regularidade do planalto rochoso sobre a margem esquerda do rio.
A água tem um papel fundamental para o Homem, a terra e os animais. A sua permanência é assegurada por uma barragem ao nível do oued (rio) d’Iche e um complexo (ao mesmo tempo que imemorial) sistema de irrigação. Diz-se que estas águas possuem propriedades terapêuticas. Fazem duas colheitas anuais de batatas, feito excepcional se considerarmos que crescem num raio de 300 km. Caso diferente, são as palmeiras que na sua maioria não conseguem produzir os frutos que dela são originários. Contudo, e quase como compensação pelo seu palmeiral “pouco produtivo” encontramos vinhas e várias árvores de fruto, como a macieira ou o damasqueiro.
Um destino que merece bem ser explorado: http://www.everyoneweb.com/ichcom/
A Expedição ao Chott Tigri, está delineada e com o percurso definido. São cerca de 3200 kms em Marrocos, com uma passagem pela orla mediterrânica até a Cala Iris, começando a descida para o Plateaux de Rekkan até Taourit, com passagem pela Pista de Montanha até Targuist.
Col du Nador, Source Ain-Hamra, Gorges de Oued Za, Col de Ayat, são alguns dos muitos pontos de interesse, que pretendemos visitar antes de entrar na zona Oriental de Marrocos.
As longas pistas dos planaltos até Figuig, são um desafio em que a navegação será a nossa aposta. As dunas de areia peganhenta, castanho ocre da zona dO Dayat Chott Tigri, serão a nossa zona de descoberta, já que as pistas são inexistentes. Vamos procurar encontrar o Monumento Comemorativo da Batalha de Chott Tigri e tirar partido da beleza da zona. Pretendemos chegar ao Dayat Lhajal, a partir do furo artesiano do Dayat Chott Tigri, onde as Pistas Q1 e Q1bis se encontram, fazendo assim um novo “track”.
Uma sequência de Bordj’s (Fortes) vão estar no nosso percurso. Os Bordj’s nesta zona Oriental de Marrocos e que se estende até ao Forte Flatters na Argélia, eram suportes de defesa da Legião Estrangeira. Contudo o modo de construção dos Bjord’s (Fortes), era diferente, enquanto em Marrocos o barro é a componente principal e como tal estão mais danificados com a água das chuvas, por exemplo o Forte Flatters, tinha uma construção mais resistente, em que a cal, já entrava na argamassa. Em 1993 estive de passagem por vários Fortes na Argélia e ainda havia muitos simbólos da Legião, com restos de mobília, sucata de viaturas e até documentos.
Bordj de Bell Frittas, Oglat Sedra, Bell Rhiada, El Ourak e outros mais estrão na nossa rota, havendo em alguns casos desvios de trajecto.
Figuig, merece uma visita mais cuidada e o Oásis de Figuig com o seu enorme palmeiral será uma das zonas a visitar. O comércio local e o artesanato de Figuig, são muito importantes, as pequenas lojas estão repletas de mercadoria, as farturas e so chás na esplanada vão permitir recuperar os 4×4 e o corpo.
De Figuig, tomamos a Pista Proibida até Mengoube Station para umas fotos, subindo depois por pista até ao Bordj Bel Rhiada até Talssinnt.
A Pista até Missouri, faz lembrar o velho Oeste Americano, “cogumelos” de arenito com centenas de metros de altura, saiem da planície, os Oueds secos permitem dar mais adrenalina a Expedição, já que desta vez o percurso do GPS permite outro tipo de navegação.
Midelt, Cirque de Jaffar, os grandes Lagos de Imilchill, a Pista de Tassent até Tasraft, (antiga Pista de Benni Mellal a Imilchill), Anergui e as Gorges de Assif Melloul, são as últimas Pistas do percurso. Depois o regresso por Bin Ouidane, Oued Zem até a Praia de Shkirat para uma banho de mar.
Depois o regresso a casa, pela via mais rápida até Sebta.
Bordj Tidarrine
Dayat Lhajal
E o que pretendemos encontrar
Gravuras Pré-históricas de Grand Ghilen, near Bel Ghiadia – N32 37.850 W2 53.550
E para aguçar o apetite
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Realizada a Travessia de Serpins a Freixo de Espada à Cinta via Lumbrales, as nossas atenções, viram-se a todo vapor para o estudo detalhado do percurso.
Source de Ain-Hamra
Menos de dois meses, para a Expedição a zona do Chott Tigri, zona que procuraremos “vasculhar” com todo o interesse, já que muitos motivos históricos e naturais estão ligados ao Chott Tigri, com a grande batalha com a Legião Estrangeira e o enorme manancial de água potável dos seus aquíferos, um dos maiores da África doi Norte. A textura da sua areia, do tipo “cola tudo” a sua cor ocre com tons de alaranjado, torna esta zona diferente. As dunetes e dunas que contornam todo o Chott vão “trajectadas”, de modo a construirmos um mapa Topo com mais pormenor.
O percurso até Ain Benimathar, cruza as montanhas do Rif, sempre em busca de trilhos, caminhos e pontos de interesse, como Coll du Nador, Estâncias Termais e Grutas naturais.
De Ain Benimathar até Chott Tigri, as pistas do Gandini são a nossa aposta, com uma descida até Iche, local com encanto e muitas boas recordações para o pessoal da Expedição de 2010. A Pista militar de Iche a Figuig é fabulosa, pela paisagens, pelos sítios de gravuras rupestres que existem ao longo do percurso e na parte fibal com a chegada a Figuig. O Palmeiral de Figuig está em vias de ser classificado como Património Natural da Humanidade.
Até Missouri a caravana seguirá uma rota pré-defenida, depois de Missouri as variantes serão estudadas dia após dia, sem presas e constragimentos, sempre com o lema “Devagar mas com estilo”.
Dayat Lhajal, near Ich
Inté.





















