Land Lousã


EXPEDIÇÃO LISBOA/LUANDA 1992
23/09/2009, 21:41
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maliflr-wince[1]Este documento explica na sua página 6, o porquê dos vários assaltos a que fomos sujeitos na zona de Tin Zoutine e Kidal no Mali.

Documento, AQUI.

Laripô.



TEMPESTADE DE AREIA NO SUL DA ARGÉLIA
27/07/2009, 23:32
Arquivado em: MEMÓRIAS

Boas.

Andava à procura de uns velhos mapas de Marrocos da General Tyre com uns 20 anos, quando encontrei o meu Diário da Expedição Lisboa/Luanda. Li e reli todas as notas e aqui vai uma das mais duras provas a que o Sahara nos submete. Poupamos tudo, desde água, comida, tempo, palavras e até a conversa, só se aprecia e sonha, quando não dá a “borra”.

No dia 23 de Março de 1993, depois de umas peripécias na passagem da fronteira entre Marrocos e a Argélia de mais de 26 horas, com passagem por Tlemecen e pelo Oásis de Ghardaia onde pernoitamos, o pessoal que já tinha um atraso de mais de 2 dias em relação ao programa, queria era basar e entar no Deserto do Sahara até Tamanrasset e depois o Deserto do Teneré via Tin Zouatine.

Cada 4×4 tinha para além do depósito normal, outro igual adicional e mais 6 jerricans de 20 litros, já que a Travessia era dura e sem reabastecimentos entre El Golea e Tamanrasset. A Travessia seria feita pelo deserto, com cartografia, bússola e um Mapa Michelin.

Lembro-me que ao cair da tarde, reabastecemos em El Golea e de imediato a caravana inflectiu na perpendicular à estrada cerca de 30 a 50 kms até entrar numas dunas onde acampamos já de noite. Os carros iam chegando a conta gotas já que havia pessoal “perdido”. Foi preciso colocar um rotativo para o pessoal ter um ponto de referência.

A janta foi rápida e a dormida ao ar livre, em sacos de dormir, qual escorpiões, ninguém se lembrou de tal, tão grande era o cansaço.

Ao nascer do sol, a caravana arranca em marcha acelerada e o prazer de estar a rolar no Deserto do Sahara era estimulante. Era uma loucura, mas, foi sol de pouca dura, já que uma tempestade de areia, quebrou a caravana. Foi-nos dito que em caso de problemas o ponto de encontro seria em Hassi Bell Guebour.

E assim foi, com a caravana partida em dois ou mais grupos, fomos obrigados a reagrupar em Hassi Bell Guebour. Era um lugar com uma rua de 100 mts asfaltada e uma pequena “Tasca”, com um furo no exterior com água sulfurosa, que nem para lavar a cara servia. Mandamos matar uma cabra e o pessoal jantou qualquer coisa, o que já não foi mau para o local.

Foi um espera longa até reagrupar o pessoal todo, já que uns quando entraram na estrada viraram  à direita e não à esquerda e isso complicou o reagrupamento.

No dia 26 de Março, como o atraso já era enorme, decidimos ir por asfalto até ao cruzamento Des 4 Chemins, tomando aí uma Pista Proíbida pelo exército de 300 kms de uma dureza demolidora para os carros e para o pessoal. O piso era umas vezes pedra solta, outras vezes “toulet_ondulé”, em que os carros tinham de ir a grande velocidade para “voar” sobre a ondulação do terreno. Encontramos e visitamos as ruínas de um velho forte francês da Legião Estrangeira abandonado. Havia ainda restos de peças de automóveis e pouco mais.

Cerca de 130 kms depois, quando a caravana ia em bom andamento e a uma excelente média, vê-se no horizonte o que se chama “Uma Grande Tempestade de Areia”. Em minutos a poeira e o pó era tanto que a caravana parou de imediato. Não se via nada, zero, os carros estavam encostados uns aos outros e o pessoal dentro deles.

Alguém veio conferir os carros e as motas e verificou que faltava um UMM. O pessoal dentro dos carros, não se mexia e tentava proteger os olhos, o nariz e a boca. Engolia-se areia, comia-se areia, respirava-se areia, era areia por todo o lado.

Mas a preocupação era o UMM e o pessoal que ia dentro dele, mas uma das regras de circular no deserto para além da usual, de nunca deixar de ver a viatura no retrovisor, é em caso de tempestade de areia, em caso de deixar de ver o outro veículo é ficar quieto, parar e não mexer e esperar por alguém da caravana. E foi isso que PC fez, ficou quieto a uns 100 mts dos outros carros, mas não se via.

O resto da manhã, a tarde, a noite e parte da manhã do dia 27, foi passada dentro do UMM. Só a meio da manhã do dia seguinte é que a tempestade amainou e o pessoal se reencontrou. Depois exaustos seguimos em caravana cerrada até a um acampamento algures no Sahara, perto de Amiguid, que me lembre.

Esta foi uma das experiências mais marcantes da minha vida de aventureiro, de uma “Viagem de onde ainda não regressei”.

Fiquem bem.

Inté.

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OPEL KAPITAN DE1959 – O Início
13/07/2009, 14:06
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kapitan_1953_1955Boas.

Foi para aí em 1966 que eu dei as primeiras voltas de popó a conduzir, quer dizer que, devia ter uns 13 ou 14 anos, num famoso Opel Kapitan de 1959. O Opel idêntico ao da foto tinha unicamente, cores diferentes. O  tejadilho ou hard top era verde escuro e o resto da carroceria, era o chamado verde alface ou “cueca”.

O Opel Kapitan, tinha 3 velocidades e seis cilindros com mudanças ao volante. Os bancos da frente e de trás eram corridos, umas autênticas poltronas, só faltava o wc.  Assim aos domingos de manhã o esquema para a volta,  consistia em lavar o Popó, plir os cromados e depois secar em andamento. Primeiro de mansinho, com umas marcha-atrás e depois de lavado o “puxar a frente”  e nas calmas essa manobras iam evoluindo para umas voltinhas a “socapa” para outras paragens.

Esssas voltas começaram por esticar o percurso com uma volta maior pela Serração Bailundo, Avenida do Brasil, Rua Paiva Couceiro e depois Marçal. Mas com se diz por cá “Tantas vezes o cântaro vai a fonte que depois se parte” e  foi o que aconteceu.

Certo domingo depois de lavar o Opel, polir os cromados e retocar a faixa branca dos pneus, nada melhor que “secar” a bomba, com mais uma ou duas voltas.

Saí de casa, com o Pye ligado, eram uns rádios fixes com emissoras pré-sintonizadas, em direcção a Casa Sameiro, volta a esquerda para a Fabríca da Mancabira, volta a direita para a Casa Gagajeira ao pé da Bailundo e segue com alto som para o Bairro do Teixeira. Como correu bem “nova volta, nova corrida”, qual Piqué, qual Fângio, era como andar um colchão tão boa era a suspensão. Faço a mesma volta e quando entro na Avenida Brasil, só oiço uma sirene em riste, era a PSP, manda escostar e saí da banheira o “Je”. Os homens não acreditavam que eu pudesse andar numa Rua com tanto movimento como aquela, mas nada que um tipo se atrapalhasse, levei o carro até casa e com direito a Guarda de Honra. Depois, bem depois  é que foram elas, mas isso fica para outra memória, das muitas que há para contar. Um dia quando tiver netos e, lerem isso, talvez digam ”Quero ser aventureiro como ele”.

Fiquem bem.



VIAGEM EM PÃO DE FORMA
08/07/2009, 16:39
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Boas.

Para aí em 1972 que eu me lembre andava no 2.º ano de Engenharia, quando um dia recebemos um honroso convite para visitarmos a Diamang, seja a Companhia de Diamantes de Angola, na altura um Estado dentro de uma Província.

E porquê do convite? Porque os alunos do 2.º ano podiam mudar de Curso e em vez de optarem por Civil, nada melhor que os cativar para ir para Minas.

No dia combinado na apareceu um Pão de Forma quase novo da Auto Viação do Dande, uma Empresa que ficava entre do Bairro Zambizanga e o Bairro do Marçal, na Estrada da Cuca como era então chamada.

Pão de Forma, é Wolskwagem que ainda hoje circulam por aí com umas pranchas de surf.

No Pão de Forma iamos, eu, Bento Maia, Rolo, Pimentel, Horácio, Mão de Vaca e o motorista. Saímos bem cedo, com o Pão de Forma carregado para uma longa viagem de quase 1000 Kms à longíngua Lunda. Passamos por Catete, Dondo, Salazar ou N´Dalantando, onde havia uma corridas de Motas de 250 e 500 CC, onde as Yamahas e as Hondas eram já Rainhas em dois e em quatro tempos.

Em Malange ficamos a 1.ª noite, uma cidade desenhada a régua e esquadro, com arruamentos largos, com um excelente Rádio Clube e uma Estação de Comboios enorme na Rua Principal, que só era suplantada pelos Armazéns Planalto, onde se vendia tudo, desde o botão ao camião, era incrível mas era mesmo assim.

No dia seguinte lá partimos para Henrique de Carvalho, capital da Lunda e dos Diamantes. Quase a noite chegamos a Área Estratégica de Gestão do Complexo Mineiro. Foram bem recebidos e fizeram questão de nos impressionar com “aqui não falta nada”, desde bons Hospitais, Lojas, Residências e carros muitos carros VW Carochas todos brancos.

Depois de uma longa visita a zona mineira e aos complexos de recuperação de viaturas e máquinas, partimos de noite para Portugália, uma pequena “cidade” com Aeroporto mesmo em cima da fronteira com o Zaire.

Tudo o que vimos, era “enorme de grande” desde a maquinaria pesada, as minas de diamantes em céu aberto, as minas de aluvião com desvio de enormes rios para recolher o cascalho para os complexos de lavagem, o Parque de Viaturas e as condições dadas aos funcionários, mas ao que se saiba, ninguém rumo à Diamang.

O regresso foi penoso com a ida, já que o pequeno motor de Pão de Forma com 1600 CC, debitava decibéis e de quando em quando aquecia quando as subidas ou as picadas eram mais difíceis.

Oportunamente segue o 2.º Capítulo “Roleta nas Minas”, que não tem nada a ver com jogo pessoal, mas com segurança nas Minas.

saurimo

Inté.



VIAGENS DE ONDE NUNCA SE REGRESSA
02/07/2009, 18:03
Arquivado em: MEMÓRIAS, OFF-TOPIC

Boas.

Dou por mim muitas  vezes a pensar como seria o resto da minha VIAGEM na “Expedição Lisboa  Luanda”, depois das grandes aventuras no Deserto do Sahara e do Tenerée, que acabaram como se sabe numa sequência de três assaltos, na zona inóspita de Tin Zouatine. É uma questão que me coloco muitas vezes, “como seria”, pergunto eu.

Eu também não sei responder, sei e tenho a certaza que ainda não regressei dessa VIAGEM e que hoje não a faria do mesmo modo, seja de Mapa Michelin, bússola e sem telemóvel ou GPS, enfrentando a solidão e o silêncio, debaixo de uma sol abrasador.

Ainda hoje, recordo sem errar o cruzamento depois de El-Goléa, na Argélia, por onde nos embrenhamos no Grande Deserto e o “cagaço” que apanhei nos primeiros kms em direcção ao nada, num fim de tarde em que aproximava uma tempestade de areia. Foram mais de 10 dias até Tammanrasset com um desvio a Borj Omar Driss para reabastecer com 300 litros de gasóleo.

Sei que não é possível, retornar a Tin Zouatine, sei que não é possível ainda regressar ao sul da Argélia em segurança, mas sei que gostaria de voltar SÓ ao Sahara.

Só Eu e o SAvimbi numa Grande Expedição a solo.

Ando a pensar nisso a meses mas ainda não tive oportunidade de anunciar cá por casa, talvez um dia destes quem sabe, me deixem Regressar da Grande Expedição.

Fiquem bem.

Inté.