Land Lousã


I EXPEDIÇÃO LISBOA A LUANDA EM TODO TERRENO – 1992 by Parola Gonçalves
21/12/2007, 20:18
Filed under: MEMÓRIAS

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Boas.

Desde há uns tempos que ando a ganhar coragem para relatar a minha odisseia, que foi a Grande Expedição Lisboa a Luanda em Todo Terreno. Já lá vão quase 15 anos.

Quando soube da morte do Homem forte do Geoclube do Porto, o João Moutinho (que era um aventureiro por paixão) e quando soube que deixou um livro escrito sobre essa viagem interrompida algures no Mali (que aguarda por editor), não queria deixar de escrever aqui um testemunho do Pitrigrili.


Em 1992 tentei voltar a Angola por terra.
Por altura das eleições em Angola, foi organizada uma expedição Lisboa-Luanda. Como estava integrado numa equipa de competição todo-o-terreno, conseguimos juntar os patrocínios necessários para financiar a aventura, que seria filmada e transformada num documentário a ser exibido na RTP.
Atravessada a Argélia, ficámos retidos três dias no posto fronteiriço de Tin-Zawatine. Para além de todo o dinheiro que nos conseguiu extorquir, o capitão que comandava o posto estava decidido a “disfrutar” de todas as mulheres da caravana… o que não o deixámos conseguir, claro.
Enquanto esperávamos pela autorização para atravessarmos para o Mali, o chefe da expedição decidiu contactar com um dos chefes dos tuaregues da zona. Jantámos com ele num restaurante típico. Deu-nos salvo-contudos para que pudessemos atravessar a zona com segurança e comunicou-nos que passaríamos por três controlos antes de chegarmos a Kidal, que era a nossa próxima paragem.
Partimos às 5 da manhã do dia 2 de Abril, e uma hora mais tarde éramos parados junto a um antigo fortim colonial. Após duas horas de espera, mandaram-nos prosseguir.
Entrámos numa zona montanhosa, pedregosa. Numa curva para a esquerda, lá estava uma dúzia de tuaregues todos com Kalashnikovs, alguns vestidos com camuflados. Roubaram-nos dez jipes e umas 3 motos.
É interessante que desdenharam os UMM, apenas quiseram os Toyotas e Land-Rovers… e as câmaras de vídeo e fotográficas.
Descarregaram dos carros toda a comida e bebida, bem como roupas… Para quem tradicionalmente está sempre com fome e frio, foi estranho…
Foi o primeiro controlo. Nos outros dois roubaram-nos o dinheiro e lá se tiveram que contentar com um par de UMMs…
Como vimos em Kidal e em Gao, o Mali é de facto uma terra pobre. Não por lá ter passado algumas vezes o Paris-Dakar, mas por ninguém por lá passar. Do rali, as populações do Mali só nos falavam de saudade, nem uma voz de recriminação. Todos nos perguntavam se podiam ter esperanças em a caravana do Paris-Dakar voltar num futuro próximo.
Não voltou, e o Mali, apesar de todos os proclamados cessar-fogos entre as tribos tuaregs e o governo, continuará adormecido até que um rali ou outro acontecimento de massas semelhante o ponha de novo em contacto com o mundo”.

Agora vou fazer força para que o livro seja editado.

Quando tiver coragem, continuo.

Reportagem do Diário do Minho

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Tempestade de Areia no Tenerée- Argélia

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Depois do 2º assalto e em coluna militar entre Kidal e Gao

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Coluna militar e atascanço da Mercedes 6×6

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3 comentários

Caramba!!!!…

E como sou novato nisto do TT, tou agora a começar a perceber o porquê de “O Mestre”…

Comentar por Rui

Realamente esse livro tem de sair..
Lembra-me de num almoço na Lousã o mestre contar essa odisseia em breves palavras.

Sei que tem vontade de lá ir.. e agora tem mais um motivo…

Tem de ser fechar essa página e fazer o II volume

agora com “A expedição, 15 anos depois”

abraço

Comentar por Luis Vidal

Parabéns Mestre, pelos EXCELENTES documentários!!
Grande Abraço!

Comentar por Nuno Mendes (terracotta)




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