Land Lousã


DE TAMTATTOUCHTE A MSEMRIR by Parola Gonçalves
23/04/2008, 14:08
Filed under: MEMÓRIAS

Boas.

“VOU SEMPRE, MESMO QUE NÃO VOLTE”.

Dou por mim muitas vezes, a pensar na Odisseia que foi, a etapa nocturna de ligação entre as Gargantas de Todra a Dadés.

Mas com a preparação da II Expedição a Marrocos ao ler o “Le Guide du Rotard Maroc 2008”, esta travessia merecia um lugar de destaque em dois lugares distintos face  a beleza da travessia e a sua dificuldade, já que com o mau tempo não existe trilho.

Sinceramente acho que foi uma aventura que começou pouco depois das 18.00 horas de um dia qualquer de Setembro e acabou por volta das 3.00 horas da manhã do dia seguinte depois de quase 8.00 horas para fazer cerca de 40 kms de uma pista invisível numa noite escura a uma altitude média de 2600 mts.

Não existe nenhum lugar digno desse nome ao longo do percurso. Como referem muitos Guias, uma pista em lado nenhum.

 Recordo com algum riso de saudade a minha conversa com o “Savimbi”, antes de levar 11 Land Rovers e 24 pessoas, para uma pista de montanha com precipícios “medonhos”, que o escuro da noite não dava para ver, nomeadamente nas curvas com ganchos apertados em que a roda traseira esquerda pisava o limite da segurança da vala. Pode parecer ridículo, mas aquela conversa com o “Savimbi” foi muito importante enquanto o resto do pessoal se divertia a molhar os pés e a beber umas “Cucas”, que entretento refrescavam nas águas geladas do Rio Todra. Eu confio cegamente no meu “Savimbi”, tenho uma confiança inequívoca no meu Defender e isso é muito importante.

O ponto mais elevado da pista é o Pico D’Aguerd a 2639 mts.

A pista começa suave com vistas soberbas sobre a montanha, entrando lentamente para um labirinto de curvas e contra-curvas de um Oued carregado de calhaus que escorregam da montanha que ladeia o Oued. As fortes chuvadas tinham eliminado o que restava da pista e foi uma busca constante de trilhos e saídas naquela noite escura em que o pessoal começava a entrar em stress, porque nunca mais tinha fim aquela longa pista.

Foi muito importante a ajuda do João Anágua que serviu de “lebre” a descobrir trilhos no meio do nada e da Rosa Maria que foram os meus “olhos”, naquela noite.

O GPS, não deixava de marcar 33.9 kms de distância ao destino, medida em linha recta e isso era demolidor, nomeadamente para mim e para o Anágua que sem ter falado com ele via CB, entendeu a minha mensagem via rádio “só faltam 12 kms, só faltam 4 kms” e o GPS insistia em manter a distância no 30 kms.

Por isso, não quero deixar de lá voltar, para ver o que não vi, para apreciar aqueles pisos de rochas rolantes e os plateaux calcáreos que descem para Dadés.

 Track para Mapsource, AQui

 

O famoso Track no início do percurso

2,4 Kms numa hora é obra e subimos mais de 300 mts

Algures antes do desfiladeiro a ver o track no GPS

Inté

Anúncios

4 comentários

Sem dúvida o dia mais épico que passei num 4×4. De facto, quando olho para trás relembro esses momentos com muita saúdade.
Lembro-me do pessoal da frente perguntar aos locais, ainda de dia, pelo caminho tendo-nos dito que o melhor era voltar atrás pois este´já não existia…
Lembro-me de subir e subir e continuar subir… e de repente à saída de uma curva ver um desfiladeiro enorme que só tinha visto em reportagens de expedições… Lembro-me de ver muita pedra e mais pedra( bem como eu e o JusTino gostamos).
Lembro-me das pessoas que encontrámos no meio do nada a pedir comida… … Lembro-me de num ápice dar toda a comida que tinha na bagageira para os restantes dias.
Nunca o confessei mas desde esse ponto, para mim, tudo mudou,pelo que tinha visto e pela série de sentimentos que tal despelotou em mim… Lembro-me de conduzir enquanto pensava nos milhentos luxos estúpidos que todos nós temos, enquanto outros têm tão pouco… E chorei… e continuei a chorar, enquanto escurecia…
A partir daí entrei em automático e foi o “JusTino” que me levou até ao hotel…
Hoje, penso em tudo isso, talvez um misto de loucura, talvez um misto de aventura…. De uma coisa tenho a certeza. Quero lá voltar.

CumprimenTTos

André Bela

Comentar por André Bela

Sem duvida que esse foi um dia marcante para todos nós… ainda hoje recordo essas horas nocturnas em que apareceram aquelas 2 familias a pedirem comida ali no meio do nada, sem vivalma por perto e longe de tudo e perto do céu…

Se tiverem a possibilidade de ver aquele paraiso de dia aproveitem mas tomem os comprimidos por causa das vertigens…eheh

Comentar por CarlosOliveira

Boas.
Li e reli o comentário do André Bela e foi mesmo assim.
O único que não podia falhar era eu. Às vezes dava por mim a pensar “para onde levo este pessoal”, depois de os locais nos terem dito que a pista tinha desaparecido com as fortes chuvadas.
Inté.

Comentar por Tuaregueserrano

Pelo que vimos, pelo que sentimos, pelo trilho, ficou tb em nós marcado para sempre!
Foi “A” etapa da expedição, pelo stress, pela navegação, pela noite, pelas máquinas, foi muito forte e é também uma das minhas melhores recordações de sempre.A aventura é assim, pode correr mal, mas quando corre bem é a melhor coisa do mundo! A sorte sorri aos audazes.

Abraço!

Comentar por JoãoPedro




Os comentários estão fechados.